BIOGRAFIA
Portuguêspaula roush é uma artista, investigadora e editora portuguesa que trabalha entre Portugal e o Reino Unido desde o início dos anos 2000. A sua prática atravessa fotografia, publicação, instalação, curadoria e processos participativos e computacionais, desenvolvendo-se através de projectos de longa duração nos quais imagens, livros, arquivos, territórios e formas de encontro funcionam simultaneamente como materiais e dispositivos de investigação.
A sua formação cruza psicologia social, práticas artísticas e investigação interdisciplinar. Estudou Psicologia Social na Universidade de Lisboa e realizou um mestrado em Creative Arts Therapies na Emporia State University, nos Estados Unidos, com uma Fulbright Research Award. Em 2001 integrou o Bauhaus Kolleg, em Dessau, onde realizou uma pós-graduação em Arte e Intervenção Artística em Contexto Urbano no âmbito do projecto Event City. Mais tarde, respondeu a uma comissão da South London Gallery e da Art Fund através de Honorary PhD as an Art Work, concebendo o próprio doutoramento honorário como obra artística.
Em 2004 fundou a msdm — mobile strategies of display & mediation, uma estrutura de investigação artística e editorial que, ao longo de mais de duas décadas, tem assumido diferentes configurações: plataforma curatorial, editora independente, estúdio móvel, arquivo e house-studio-gallery. Desde os primeiros anos da msdm, a sua prática desenvolveu-se entre a produção de obras e a criação de contextos para a produção, circulação e encontro com o trabalho artístico. Esta dimensão manifesta-se em projectos curatoriais como POSTSCRIPT (Part One): Portuguese Live Art in the Age of Scripted Reality, na [SPACE], Londres (2004); Mundos Locais / Local Worlds, no Centro Cultural de Lagos (2008); Hetero q.b., no Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa (2013); e The Book Dispersed: Publishing as a Relational Experience, na Casa das Artes e Sput&Nik The Window, Porto (2017).
A publicação tornou-se progressivamente uma das estruturas centrais da sua prática. Através da msdm publications, roush desenvolve photobooks, livros de artista, edições experimentais e dispositivos editoriais que articulam investigação, arquivo, trabalho de campo e exposição. Esta investigação levou-a, entre outros contextos, ao Frans Masereel Centrum, na Bélgica, e à Arab Image Foundation em Beirute, onde desenvolveu trabalho em torno de arquivos fotográficos, publicação e materialidade da imagem. O seu livro Nothing To Undo recebeu o Sheffield International Artist’s Book Prize e foi seleccionado para o Kassel Fotobook Festival; Bus-Spotting + A Story foi seleccionado para o Photo-Text Award dos Rencontres d’Arles.
Ao longo da última década, estes processos têm-se desdobrado em ciclos de investigação em torno de arquivo, água, paisagens pós-industriais, ecologias fluviais, processos botânicos e sistemas computacionais. Entre os projectos que marcam este percurso encontram-se Torn, Folded, Curled (Makan Project Space, Beirute, 2015); Liquid Memories (Borough Road Gallery, Londres, 2022; Water Museum, Lisboa, 2023); Follow Y/Our River: Lea-minal Edges (Borough Road Gallery, Londres, 2023); ‘paula’ & Work: A Document on the Machinic Enslavement in Academic Capitalism (Borough Road Gallery, Londres, 2024); e One Green Eye, the Other Blue — Herbarium of the Anthropocene (MiraForum, Porto, 2025). As suas publicações recentes incluem Photobook Is / Did You Mean Photo Book Is (2020), Liquid Memories ~ to read with water (2022), Follow Y/Our River: Lea-minal Edges e A Manual for Deep Mapping in the Lower Lea Valley (2023), Wide Load [Bred Last]: A House Moved (2023) e One Green Eye, the Other Blue: Herbarium of the Anthropocene (2025).
A pedagogia constitui outra continuidade desta trajectória. Entre 2006 e 2025, roush foi Senior Lecturer na School of Arts and Creative Industries da London South Bank University, onde desenvolveu uma prática pedagógica articulada com investigação artística, fotografia, publicação e processos participativos. Esta relação entre aprendizagem, produção artística e criação de estruturas atravessa igualmente workshops, laboratórios, publicações e projectos colaborativos desenvolvidos dentro e fora de contextos académicos.
Desde 2025, com a sua prática novamente situada em Portugal, roush tem aprofundado uma investigação que aproxima ecologias pós-industriais, práticas botânicas, arquivos, processos computacionais e formas situadas de cuidado. Em 2026, este trabalho tem sido apresentado e desenvolvido em contextos como o MUDE — Museu do Design e CRIA/ISCTE, em Lisboa; Herb Fest, Montemor-o-Novo; Anozero — Bienal de Coimbra; e Experimental Photo Festival, Barcelona. Em Outubro é keynote speaker na conferência ERRAR — Pesquisa Artística em Fotografia, na Universidade Lusófona, Lisboa, e em Novembro participa em The Pencil of Nature, com curadoria de Elina Heikka, na Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa.