msdm

Manifesto

mobile strategies of display & mediation

The manifesto as a living editorial tool — not a declaration detached from experience, but a condensation of practice.
Editorial practice · Situated pedagogy · Publishing as method · Slowness · More-than-human mediation
01 · Da prática ao manifesto / From practice to manifesto

O manifesto msdm articula um conjunto de princípios que emergiram de uma prática artística, editorial e pedagógica de longa duração. Não é uma declaração teórica separada da experiência, mas uma condensação de experiências vividas em publicação, realização de exposições, trabalho de campo e aprendizagem colectiva.

Escrito a partir do interior da prática, o manifesto nomeia modos de trabalhar que tratam a lentidão como método, a mediação como processo relacional e a publicação como uma forma situada e mais-que-humana de produção de conhecimento.

O manifesto cresce directamente de projectos concretos desenvolvidos através da msdm, incluindo House–Studio–Gallery, Torn, Folded, Curled, Liquid Memories, One Green Eye, the Other Blue: Herbarium of the Anthropocene e Found Photo Foundation. Nestes contextos, o espaço é tratado como colaborador, as imagens como acontecimentos materiais contingentes e a publicação como prática espacial expandida.

Em vez de propor novos métodos, o manifesto torna explícito aquilo que estes projectos põem em prática: viver como infraestrutura, investigação como relação e mediação como ética do cuidado.

The msdm manifesto articulates a set of principles that have emerged through long-term artistic, editorial, and pedagogical practice. It is not a theoretical declaration detached from experience, but a condensation of lived experiments in publishing, exhibition-making, fieldwork, and collective learning.

Written from within practice, the manifesto names ways of working that treat slowness as method, mediation as relational process, and publishing as a situated, more-than-human form of knowledge production.

The manifesto grows directly from concrete projects developed through msdm, including the House–Studio–Gallery, Torn, Folded, Curled, Liquid Memories, One Green Eye, the Other Blue: Herbarium of the Anthropocene and Found Photo Foundation. Across these contexts, space is treated as collaborator, images as contingent material events, and publishing as an expanded spatial practice.

Rather than proposing new methods, the manifesto makes explicit what these projects enact: living as infrastructure, research as relation, and mediation as an ethics of care.

DOMENEST · adopt a rhizome
02 · Seis proposições / Six propositions

o espaço como colaborador

space as collaborator

o espaço não é um contentor neutro, mas um participante activo no trabalho. espaços arquitectónicos, domésticos, institucionais e exteriores moldam processos, decisões, ritmos e relações. trabalhar com o espaço implica atender às suas limitações, possibilidades, histórias e agências, permitindo-lhe co-produzir sentido em vez de simplesmente o acolher.

space is not a neutral container but an active participant in the work. architectural, domestic, institutional, and outdoor spaces shape processes, decisions, rhythms, and relations. working with space means attending to its constraints, affordances, histories, and agencies, allowing it to co-produce meaning rather than merely host it.

imagens como acontecimentos materiais contingentes

images as contingent material events

as imagens não são representações fixas, mas acontecimentos materiais situados, moldados por condições técnicas, sociais, ecológicas e políticas. emergem através da coincidência, circulação e encontro, e poderiam sempre ter sido de outra forma.

images are not fixed representations but situated material events, shaped by technical, social, ecological, and political conditions. they emerge through coincidence, circulation, and encounter, and could always have been otherwise.

publicação como prática espacial expandida

publishing as an expanded spatial practice

a publicação prolonga-se para além do livro ou da página, entrando em salas, mesas, caminhadas, dispositivos expositivos, ecrãs e arranjos temporais. é uma forma de organizar espaço, atenção e encontro, em que a edição se torna um acto espacial e a publicação uma condição para a presença colectiva.

publishing extends beyond the book or the page into rooms, tables, walks, displays, screens, and temporal arrangements. it is a way of organising space, attention, and encounter, where editing becomes a spatial act and publication a condition for collective presence.

viver como infraestrutura

living as infrastructure

o reconhecimento de que a vida — corpos, tempo, afecto, cuidado — sustenta sistemas e instituições, muitas vezes de forma invisível. viver não é apenas sustentado por infraestruturas; é repetidamente levado a funcionar como infraestrutura.

a recognition that life — bodies, time, affect, care — sustains systems and institutions, often invisibly. living is not supported by infrastructure alone; it is repeatedly made to function as infrastructure.

investigação como relação

research as relation

a investigação entendida não como extracção ou distância, mas como uma prática relacional fundada na implicação, responsabilidade e transformação mútua.

research understood not as extraction or distance, but as a relational practice grounded in implication, responsibility, and mutual transformation.

mediação como ética do cuidado

mediation as an ethics of care

a mediação como prática ética situada, em que editar, publicar e expor implicam responsabilidade pela exposição, vulnerabilidade, ritmo e atenção.

mediation as a situated ethical practice, where editing, publishing, and display involve responsibility for exposure, vulnerability, rhythm, and attention.

msdm house–studio–gallery · publication as installation · Museums Without Walls
03 · Princípios centrais / Core principles
A lentidão como método

Contra os tempos extractivos da produção, a msdm adopta a lentidão como um modo de atenção, permitindo que imagens, lugares e relações se desdobrem ao longo do tempo.

Slowness as Method

Working against extractive tempos of production, msdm adopts slowness as a mode of attention, allowing images, places, and relations to unfold over time.

Publicação como prática

Livros, zines, cartões e formatos digitais são entendidos como arquitecturas móveis — espaços onde a investigação é activada, partilhada e transformada, em vez de concluída.

Publishing as Practice

Books, zines, cards, and digital formats are understood as mobile architectures — spaces where research is activated, shared, and transformed rather than concluded.

Pedagogia situada

A aprendizagem acontece através de workshops, caminhadas, laboratórios e fazer colectivo, enraizados em territórios e contextos específicos, em vez de currículos abstractos.

Situated Pedagogy

Learning takes place through workshops, walks, laboratories, and collective making, grounded in specific territories and contexts rather than abstract curricula.

Mediação mais-que-humana

Plantas, água, edifícios, arquivos e tecnologias são abordados como agentes activos que moldam o conhecimento, e não como materiais passivos a representar.

More-than-Human Mediation

Plants, water, buildings, archives, and technologies are approached as active agents shaping knowledge, not passive materials to be represented.

Studio / Archaeology
04 · The English Word for Devagar
devagar is not simply a speed.

O termo português devagar resiste a uma tradução directa. Mais do que “slow” enquanto velocidade, nomeia uma qualidade de presença — atenta, duracional e relacional. Dentro da msdm, devagar informa pedagogias da lentidão que privilegiam cuidado, continuidade e pensamento situado sobre produtividade e imediatismo.

O manifesto aproxima-se e contribui para conversas mais amplas em torno de slow scholarship, slow research, slow publishing e slow looking. Estas práticas não são adoptadas como rótulos, mas como compromissos vividos, postos em prática através de processos editoriais, investigação colaborativa e envolvimento de longa duração com lugares e comunidades.

The Portuguese term devagar resists direct translation. Rather than “slow” as a speed, it names a quality of presence — attentive, durational, and relational. Within msdm, devagar informs pedagogies of slowness that privilege care, continuity, and situated thinking over productivity and immediacy.

The manifesto aligns with and contributes to broader conversations around slow scholarship, slow research, slow publishing, and slow looking. These practices are not adopted as labels, but as lived commitments enacted through editorial processes, collaborative research, and long-term engagement with sites and communities.

DOMENEST · work on a story for a vacant building
05 · Formas / Forms
Manifesto texts
Editorial essays
Pedagogical protocols
Project-based publications
Workshops and laboratories
Digital writing
06 · Legado e continuidade / Legacy and continuity

O manifesto msdm permanece aberto e iterativo. É revisitado, revisto e reactivado através de projectos, ensino e colaborações em curso. Em vez de encerrar um capítulo, funciona como uma ferramenta editorial viva — uma bússola para o trabalho futuro.

The msdm manifesto remains open and iterative. It is revisited, revised, and reactivated through ongoing projects, teaching, and collaborations. Rather than closing a chapter, it functions as a living editorial tool — a compass for future work.

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