msdm a nomadic house-studio-gallery for photographic art and curatorial research, an expanded practice of the artist's book, photobook publishing and peer-to-peer collaboration created by artist researcher paula roush
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Da Lenta Travessia das Raízes

Lançamento da publicação Cadavre Exquis — Fotografar em Continuidade
Sábado, 9 de Maio de 2026, 15:00
MUDE — Museu do Design
Rua Augusta 24, Lisboa

Este sábado, 9 de maio, às 15h, participa-se no lançamento do livro Cadavre Exquis — Fotografar em Continuidade, no MUDE, lisboa, um projeto coordenado por Jorge Barbosa que reúne 78 autores numa longa cadeia de correspondências fotográficas.

Inspirado no método surrealista do cadavre exquis, cada participante recebeu apenas a imagem de autor anterior e foi convidado a continuar a narrativa através de uma nova fotografia, texto e gesto imaginativo.

Na sequência (b), recebi uma imagem de Matilde Fieschi (05b).
A minha resposta tornou-se Da Lenta Travessia das Raízes (06b): um conjunto de fitogramas realizados com folhas e raízes de sabugueiro recolhidas na antiga casa-estúdio em londres, usando emulsão fotográfica, água do tamisa e luz solar.

O trabalho emergiu num momento de deslocação entre londres e lisboa, pouco antes da dissolução desse ecossistema doméstico. as imagens permanecem agora como formas de pós-memória ecológica — vestígios materiais de uma convivência multiespécie inscrita na superfície fotográfica.

Gosto particularmente da estrutura deste projeto: avançar sem conhecer a totalidade da história, respondendo apenas ao fragmento recebido, como quem atravessa uma floresta guiada por sinais incompletos.

Obrigada a jorge barbosa pelo convite e pela construção desta deriva coletiva.

Cadavre exquis — fotografar em continuidade
Lançamento do livro
Sábado, 9 maio 2026 — 15h
MUDE — museu do design, lisboa

@cadavrefotografico

Mais informações:
jorgebarbosa.pt/lancamento-cadavre-exquis


Algumas imagens não documentam um lugar; permanecem como organismos sobreviventes da relação que lhes deu origem.

 

Of the Slow Passage of Roots 

Launch of the publication Cadavre Exquis — Fotografar em Continuidade
Saturday 9 May 2026, 15:00
MUDE — Museu do Design
Rua Augusta 24, Lisbon


This Saturday, May 9 at 3pm, the book Cadavre Exquis — Photographing in Continuity will be launched at MUDE, Lisbon, a project coordinated by Jorge Barbosa bringing together 78 authors in an extended chain of photographic correspondences.

Inspired by the surrealist method of the cadavre exquis, each participant received only the image of the previous author and was invited to continue the narrative through a new photograph, text, and imaginative gesture.

In sequence (b), I received an image from Matilde Fieschi (05b).
My response became Da Lenta Travessia das Raízes (On the Slow Crossing of Roots) (06b): a series of phytograms made with elder leaves and roots collected from my former house-studio in London, using photographic emulsion, Thames water, and sunlight.

The work emerged during a moment of displacement between London and Lisbon, shortly before the dissolution of that domestic ecosystem. The images now remain as forms of ecological post-memory — material traces of a multispecies coexistence inscribed onto the photographic surface.

What I particularly value in this project is its structure: moving forward without knowing the entirety of the story, responding only to the fragment received, like crossing a forest guided by incomplete signs.

My thanks to Jorge Barbosa for the invitation and for constructing this collective drift.

Cadavre Exquis — Photographing in Continuity
Book launch
Saturday, May 9, 2026 — 3pm
MUDE — Museum of Design, Lisbon

@cadavrefotografico

More information:
jorgebarbosa.pt/lancamento-cadavre-exquis


Some images do not document a place; they remain instead as surviving organisms of the relations from which they emerged.

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Da Lenta Travessia das Raízes
2025 — ongoing
Lisboa / London

Fitogramas realizados com folhas e raízes de sabugueiro, revelador natural preparado com água do Tamisa, emulsão fotográfica e luz solar.
Dimensões variáveis

Desenvolvido entre Londres e Lisboa, Da Lenta Travessia das Raízes entrelaça fotografia, ecologia vegetal e pós-memória através de uma prática fitográfica situada entre casa-estúdio, jardim doméstico e laboratório improvisado. O projeto nasce em colaboração lenta com um sabugueiro que habitava o quintal da minha antiga casa em Londres, pouco antes da travessia definitiva para Lisboa e da dissolução desse ecossistema quotidiano.

Trabalhando diretamente com raízes, folhas, água, emulsão fotográfica e exposição solar, os fitogramas emergem através de reações materiais entre compostos vegetais, superfícies fotossensíveis e condições atmosféricas. Sem separar completamente a planta do seu ambiente, o processo depende de gestos de proximidade, espera e contacto: colocar o papel no solo húmido, acompanhar a luz, deixar que a química vegetal atravesse lentamente a emulsão.

Na tradição popular europeia, o sabugueiro é frequentemente associado à proteção, à cura e à passagem entre mundos, sendo plantado junto de jardins, caminhos e portões domésticos. As suas flores persistem também na cultura quotidiana britânica através de infusões, cordials, xaropes e bebidas sazonais partilhadas durante o verão. Aqui, o sabugueiro torna-se simultaneamente colaborador fotográfico, testemunha doméstica e arquivo ecológico.

Os fitogramas produzidos funcionam como vestígios de um ecossistema entretanto desaparecido — imagens suspensas entre raiz, emulsão, deslocamento e metamorfose. Depois da mudança entre Londres e Lisboa, estas imagens permanecem como formas de pós-memória ecológica: não apenas documentos de uma planta ou de um lugar, mas sobrevivências materiais de uma convivência multiespécie inscrita na superfície fotográfica.

Produzido inicialmente para o projeto colaborativo Cadavre Exquis Fotográfico, coordenado por Jorge Barbosa, o trabalho responde a uma cadeia narrativa construída sequencialmente entre 78 autores. Recebendo apenas a imagem anterior como ponto de partida, cada participante foi convidado a continuar a história através de uma nova fotografia, texto e gesto imaginativo. Nesta deriva coletiva, Da Lenta Travessia das Raízes propõe uma correspondência lenta entre planta, imagem, memória e travessia.

Of the Slow Passage of Roots
2025 — ongoing
Lisbon / London

Phytograms on photosensitive paper using elder roots and leaves, natural developer prepared with Thames water, photographic emulsion and sunlight.
Variable dimensions

Developed between London and Lisbon, Of the Slow Passage of Roots intertwines photography, vegetal ecology and post-memory through a phytographic practice situated between home-studio, domestic garden and improvised laboratory. The project emerges through a slow collaboration with an elder tree that inhabited the backyard of my former house in London, shortly before the definitive passage to Lisbon and the dissolution of that everyday ecosystem.

Working directly with roots, leaves, water, photographic emulsion and solar exposure, the phytograms emerge through material reactions between vegetal compounds, photosensitive surfaces and atmospheric conditions. Without completely separating the plant from its environment, the process depends upon gestures of proximity, waiting and contact: placing the paper on humid soil, following the movement of light, allowing vegetal chemistry to slowly traverse the emulsion.

In European folk traditions, the elder tree is frequently associated with protection, healing and passage between worlds, often planted near gardens, pathways and domestic thresholds. Its flowers also persist within everyday British culture through infusions, cordials, syrups and seasonal drinks shared during the summer months. Here, the elder becomes simultaneously a photographic collaborator, domestic witness and ecological archive.

The resulting phytograms function as traces of an ecosystem that has since disappeared — images suspended between root, emulsion, displacement and metamorphosis. Following the move between London and Lisbon, these images remain as forms of ecological post-memory: not merely documents of a plant or a place, but material survivals of a multispecies coexistence inscribed onto the photographic surface.

Initially produced for the collaborative project Cadavre Exquis Photographique, coordinated by Jorge Barbosa, the work responds to a narrative chain constructed sequentially between 78 authors. Receiving only the preceding image as a point of departure, each participant was invited to continue the story through a new photograph, text and imaginative gesture. Within this collective drift, Of the Slow Passage of Roots proposes a slow correspondence between plant, image, memory and passage.

Preparação do fitograma diretamente com as raízes da planta, na casa-estúdio-galeria em Londres, 2025.


Preparation of the phytogram directly with the plant’s roots, at the London house-studio-gallery, 2025.

 

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Emergindo da profundidade, o corpo fotográfico transforma-se em raízes invisíveis que se estendem pela terra e pelo ar. As plantas da minha casa em Londres tornam-se cúmplices deste reencontro, numa colaboração lenta em que o fitograma revela esta fusão: as folhas e raízes do sabugueiro, imersas no revelador natural com a água do Tamisa, o papel com emulsão fotográfica e a luz solar capturam a fluidez de um momento de transição, como uma libélula que passa entre mundos. Na tradição popular, o sabugueiro é conhecido por afastar espíritos malignos, sendo tradicionalmente plantado perto de portões e jardins para proteção. Que continue a cuidar de nós neste espaço-tempo partilhado.

Emerging from the depths, the photographic body transforms into invisible roots extending through earth and air. The plants from my London home become accomplices in this reunion, in a slow collaboration where the phytogram reveals this fusion: the leaves and roots of the elder tree, immersed in a natural developer prepared with Thames water, photographic emulsion and sunlight, capture the fluidity of a moment of transition, like a dragonfly passing between worlds. In folk tradition, the elder tree is known for warding off evil spirits, traditionally planted near gates and gardens for protection. May it continue to care for us within this shared space-time.

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Detalhe de fitograma com folhas de sabugueiro, emulsão fotográfica e revelador natural preparado com água do Tamisa.

Detail of phytogram with elder leaves, photographic emulsion and natural developer prepared with Thames water.

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