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Maria Joao Carvalho
Do que vi e do que não vi. Relato de visitas a exposições em tempos de confinamento.



De uma Torre de Babel

 Maria Joao Carvalho


No âmbito do projeto CREiA, havia que criar um livro de autor. Que prazer me deu elaborar o do primeiro curso, correspondente à primeira fase de confinamento neste inenarrável 2020!

Mas desta vez, não me apetecia criar. Dado a minha atual raiva contra uma coisa a que se chama de Humanidade, senti ter que ajustar umas continhas com a História e sobretudo, com a minha carreira profissional. Esta última está concluída; com a História há que criar um novo tipo de abordagem para nos entendermos.

Decidi criar um livro que correspondesse a um mito que me intriga, a Torre de Babel. Ou melhor, o que na verdade me apetecia era pegar num daqueles formões que o meu pai usava no seu ofício de marceneiro e escavar, escavar, escavacar um livro sobre a dita Humanidade. Mas essa habilidade não foi herdada, creio eu. Daí me terem sido sugeridas outras propostas, bem interessantes, de diversos artistas que bem me podiam inspirar nesta coisa dos Livros Alterados. E para começar, pôr as mãos na massa, que é como quem diz na tesoura e no livro a cortar. Treino, treino, treino.

Tratei logo de me vingar sobre aquela disciplina com a qual nunca me entendi na escola e fui esquartejar um manual de Matemática, novinho em folha (mais um dos benefícios de ter como companheiro um mestre em Matemática). Cortei, recriei, pondo logo em evidência exercícios resolvidos, coisa que no meu tempo de estudante de liceu não existia… No fim, ficou por lá um espaço demasiado branco; aí colei uma dedicatória de prenda de Natal da minha sobrinha, oferecida há uns anitos. E pronto! Teria a semana seguinte para ir “escavando” o meu zigurate da Babilónia num outro livro.

Semana que foi, novamente, complexa com muitas dificuldades a gerir. Felizmente resolvidas, pelo menos por agora. E praticamente a um dia de apresentar a minha Torre, tudo estava por fazer.

 Outra tarefa tinha também a desenvolver. O lema seria sempre “Go with the flow”, explorando significados das raízes fotografadas. “Desenhá-las” através de frottage, friccionando papel de seda. Fui comprar os papéis há uns dias e nestas coisas, quem manda são as cores que chamam por mim. Cores e texturas, pois além das três distintas folhas de papel de seda veio também um novelo de ráfia. E lá ficaram a aguardar o seu uso.

Elas e as diversas tralhas que residem na minha sala de trabalho. Cartolinas (até as interiores dos rolos de papel higiénico), os postais, as brochuras, as imagens de exposições, as mais das vezes na verdade vistas por uma grande amiga.

Talvez a minha raiva esteja mais aplacada. O que é certo é que não me apetecia esquartejar, mas sim construir. E com estes materiais, a cola, os agrafos e, sobretudo, o entusiasmo, lá fui criando a minha Torre. Chamei-lhe “Do que vi e do que não vi. Relato de visitas a exposições em tempos de confinamento.” E foi tão bom criar isto!

Esta torre lembra-me as chaminés da dita fábrica a que já fiz referência no texto sobre as raízes. Talvez haja mais trabalho a fazer sobre esse tema.

 Mas continua a intrigar-me a diversidade linguística, simbolizada por Babel…

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