msdm a nomadic house-studio-gallery for photographic art and curatorial research, an expanded practice of the artist's book, photobook publishing and peer-to-peer collaboration created by artist researcher paula roush
Da Lenta Travessia das Raízes
Lançamento da publicação Cadavre Exquis — Fotografar em Continuidade
Sábado, 9 de Maio de 2026, 15:00
MUDE — Museu do Design
Rua Augusta 24, Lisboa
Da Lenta Travessia das Raízes foi inicialmente produzido para a publicação colaborativa Cadavre Exquis Fotográfico, coordenada por Jorge Barbosa, reunindo 78 autores ao longo de duas narrativas visuais em contínuo desdobramento, desenvolvidas sequencialmente durante 40 semanas.
Inspirado no método surrealista do cadavre exquis, cada participante recebeu apenas a imagem anterior como ponto de partida, continuando a cadeia através de uma nova fotografia, texto e gesto imaginativo. Desenvolvido entre Londres e Lisboa, Da Lenta Travessia das Raízes responde a esta deriva coletiva através de uma correspondência fitográfica entre raiz, imagem, pós-memória e travessia ecológica.
Mais informações:
jorgebarbosa.pt/lancamento-cadavre-exquis
Of the Slow Passage of Roots
Launch of the publication Cadavre Exquis — Fotografar em Continuidade
Saturday 9 May 2026, 15:00
MUDE — Museu do Design
Rua Augusta 24, Lisbon
Da Lenta Travessia das Raízes was initially produced for the collaborative publication Cadavre Exquis Fotográfico, coordinated by Jorge Barbosa, bringing together 78 authors across two unfolding visual narratives developed sequentially over 40 weeks.
Inspired by the surrealist method of the cadavre exquis, each participant received only the preceding image as a point of departure, continuing the chain through a new photograph, text and imaginative gesture. Developed between London and Lisbon, Da Lenta Travessia das Raízes responds to this collective drift through a phytographic correspondence between root, image, post-memory and ecological passage.
More information:
jorgebarbosa.pt/lancamento-cadavre-exquis
Da Lenta Travessia das Raízes
2025 — ongoing
Lisboa / London
Fitogramas realizados com folhas e raízes de sabugueiro, revelador natural preparado com água do Tamisa, emulsão fotográfica e luz solar.
Dimensões variáveis
Desenvolvido entre Londres e Lisboa, Da Lenta Travessia das Raízes entrelaça fotografia, ecologia vegetal e pós-memória através de uma prática fitográfica situada entre casa-estúdio, jardim doméstico e laboratório improvisado. O projeto nasce em colaboração lenta com um sabugueiro que habitava o quintal da minha antiga casa em Londres, pouco antes da travessia definitiva para Lisboa e da dissolução desse ecossistema quotidiano.
Trabalhando diretamente com raízes, folhas, água, emulsão fotográfica e exposição solar, os fitogramas emergem através de reações materiais entre compostos vegetais, superfícies fotossensíveis e condições atmosféricas. Sem separar completamente a planta do seu ambiente, o processo depende de gestos de proximidade, espera e contacto: colocar o papel no solo húmido, acompanhar a luz, deixar que a química vegetal atravesse lentamente a emulsão.
Na tradição popular europeia, o sabugueiro é frequentemente associado à proteção, à cura e à passagem entre mundos, sendo plantado junto de jardins, caminhos e portões domésticos. As suas flores persistem também na cultura quotidiana britânica através de infusões, cordials, xaropes e bebidas sazonais partilhadas durante o verão. Aqui, o sabugueiro torna-se simultaneamente colaborador fotográfico, testemunha doméstica e arquivo ecológico.
Os fitogramas produzidos funcionam como vestígios de um ecossistema entretanto desaparecido — imagens suspensas entre raiz, emulsão, deslocamento e metamorfose. Depois da mudança entre Londres e Lisboa, estas imagens permanecem como formas de pós-memória ecológica: não apenas documentos de uma planta ou de um lugar, mas sobrevivências materiais de uma convivência multiespécie inscrita na superfície fotográfica.
Produzido inicialmente para o projeto colaborativo Cadavre Exquis Fotográfico, coordenado por Jorge Barbosa, o trabalho responde a uma cadeia narrativa construída sequencialmente entre 78 autores. Recebendo apenas a imagem anterior como ponto de partida, cada participante foi convidado a continuar a história através de uma nova fotografia, texto e gesto imaginativo. Nesta deriva coletiva, Da Lenta Travessia das Raízes propõe uma correspondência lenta entre planta, imagem, memória e travessia.
Of the Slow Passage of Roots
2025 — ongoing
Lisbon / London
Phytograms on photosensitive paper using elder roots and leaves, natural developer prepared with Thames water, photographic emulsion and sunlight.
Variable dimensions
Developed between London and Lisbon, Of the Slow Passage of Roots intertwines photography, vegetal ecology and post-memory through a phytographic practice situated between home-studio, domestic garden and improvised laboratory. The project emerges through a slow collaboration with an elder tree that inhabited the backyard of my former house in London, shortly before the definitive passage to Lisbon and the dissolution of that everyday ecosystem.
Working directly with roots, leaves, water, photographic emulsion and solar exposure, the phytograms emerge through material reactions between vegetal compounds, photosensitive surfaces and atmospheric conditions. Without completely separating the plant from its environment, the process depends upon gestures of proximity, waiting and contact: placing the paper on humid soil, following the movement of light, allowing vegetal chemistry to slowly traverse the emulsion.
In European folk traditions, the elder tree is frequently associated with protection, healing and passage between worlds, often planted near gardens, pathways and domestic thresholds. Its flowers also persist within everyday British culture through infusions, cordials, syrups and seasonal drinks shared during the summer months. Here, the elder becomes simultaneously a photographic collaborator, domestic witness and ecological archive.
The resulting phytograms function as traces of an ecosystem that has since disappeared — images suspended between root, emulsion, displacement and metamorphosis. Following the move between London and Lisbon, these images remain as forms of ecological post-memory: not merely documents of a plant or a place, but material survivals of a multispecies coexistence inscribed onto the photographic surface.
Initially produced for the collaborative project Cadavre Exquis Photographique, coordinated by Jorge Barbosa, the work responds to a narrative chain constructed sequentially between 78 authors. Receiving only the preceding image as a point of departure, each participant was invited to continue the story through a new photograph, text and imaginative gesture. Within this collective drift, Of the Slow Passage of Roots proposes a slow correspondence between plant, image, memory and passage.
Preparação do fitograma diretamente com as raízes da planta, na casa-estúdio-galeria em Londres, 2025.
Preparation of the phytogram directly with the plant’s roots, at the London house-studio-gallery, 2025.
Emergindo da profundidade, o corpo fotográfico transforma-se em raízes invisíveis que se estendem pela terra e pelo ar. As plantas da minha casa em Londres tornam-se cúmplices deste reencontro, numa colaboração lenta em que o fitograma revela esta fusão: as folhas e raízes do sabugueiro, imersas no revelador natural com a água do Tamisa, o papel com emulsão fotográfica e a luz solar capturam a fluidez de um momento de transição, como uma libélula que passa entre mundos. Na tradição popular, o sabugueiro é conhecido por afastar espíritos malignos, sendo tradicionalmente plantado perto de portões e jardins para proteção. Que continue a cuidar de nós neste espaço-tempo partilhado.
Emerging from the depths, the photographic body transforms into invisible roots extending through earth and air. The plants from my London home become accomplices in this reunion, in a slow collaboration where the phytogram reveals this fusion: the leaves and roots of the elder tree, immersed in a natural developer prepared with Thames water, photographic emulsion and sunlight, capture the fluidity of a moment of transition, like a dragonfly passing between worlds. In folk tradition, the elder tree is known for warding off evil spirits, traditionally planted near gates and gardens for protection. May it continue to care for us within this shared space-time.