msdm a nomadic house-studio-gallery for photographic art and curatorial research, an expanded practice of the artist's book, photobook publishing and peer-to-peer collaboration created by artist researcher paula roush
Posição de Trabalho
Escrevo isto não como uma biografia retirada de outro lugar, mas a partir de dentro de uma prática moldada por trabalho continuado, decisões, recusas e continuidades. Isto é o que sei, de forma clara e sem mitologia.
Trabalho como artista, investigadora e editora, desenvolvendo projetos que atravessam fotografia, publicação, instalação, investigação participativa e processos computacionais. A minha prática não é orientada por meios, mas por infraestruturas: trato imagens, livros, plataformas, workshops, arquivos e instituições como materiais a serem manipulados, reconfigurados e, por vezes, recusados.
Sou fundadora da msdm — mobile strategies of display & mediation, que funciona como uma plataforma para-institucional e um espaço de experimentação editorial, e não como uma editora ou coletivo convencional. Através da msdm, desenvolvi uma prática de longo prazo que entende a publicação como uma prática espacial, relacional e ética, e não apenas como um formato.
O meu trabalho assenta numa investigação situada: caminhar, trabalho de campo, manuseamento de arquivos, produção coletiva, aprendizagem partilhada e envolvimento prolongado com lugares, ecossistemas e comunidades. Trabalho com fotografias encontradas, arquivos órfãos, herbários contemporâneos, ruínas industriais e culturas visuais vernaculares, mobilizando frequentemente a ficção, a fabulação, a anotação e os processos computacionais como ferramentas críticas.
Metodologicamente, a minha prática é informada por pensamento feminista e decolonial, tecnobiografia e autoetnografia, perspetivas pós-humanas e mais-que-humanas, e pedagogias lentas, relacionais e orientadas pelo cuidado. Utilizo consistentemente a publicação como metodologia e não como documentação — livros, zines, cartas, mesas, exposições e plataformas online funcionam como arquiteturas móveis onde o conhecimento é ativado, partilhado e transformado, e não simplesmente concluído.
Projetos recentes, incluindo um olho verde, o outro azul — herbário do antropoceno, articulam inteligência artificial com trabalho de campo pós-industrial, práticas botânicas e produção material de imagem, explorando como sistemas algorítmicos e ecológicos co-produzem imagens, conhecimento e classificação. De forma mais ampla, o meu trabalho tem abordado criticamente a governação algorítmica, o capitalismo académico e a inteligência artificial, particularmente a partir do interior da universidade. Desenvolvi uma crítica à universidade gestionária, metricizada e plataformizada, utilizando instalação, prática editorial e imagens geradas por IA como formas de contra-infraestrutura, em vez de conformidade.
Ao longo deste trabalho, o que me importa não é um estilo autoral, mas uma posição consistente: uma recusa da otimização e da escala, um compromisso com o cuidado, a lentidão e a relação, uma compreensão das instituições como materiais e não como autoridades, e a disponibilidade para permanecer na instabilidade em vez de a resolver.
Se tivesse de o dizer de forma simples:
Construo condições para pensar, fazer e publicar nas fissuras das instituições, sem procurar estabilizar essas fissuras em novas estruturas de poder.
É isso que o trabalho continua a fazer.
Working position
I am writing this not as a biography extracted from elsewhere, but from within a practice shaped by sustained work, decisions, refusals and continuities. This is what I know, clearly and without mythology.
I work as an artist, researcher and publisher, developing projects that move across photography, publishing, installation, participatory research and computational processes. My practice is not organised around media, but around infrastructures: I treat images, books, platforms, workshops, archives and institutions as materials to be manipulated, reconfigured and, at times, refused.
I am the founder of msdm — mobile strategies of display & mediation, which operates as a para-institutional platform and a space for editorial experimentation rather than a conventional publishing house or collective. Through msdm, I have developed a long-term practice that understands publishing as a spatial, relational and ethical practice rather than simply a format.
My work is grounded in situated research: walking, fieldwork, archival handling, collective production, shared learning and long-term engagement with places, ecosystems and communities. I work with found photographs, orphan archives, contemporary herbariums, industrial ruins and vernacular visual cultures, often mobilising fiction, fabulation, annotation and computational processes as critical tools.
Methodologically, my practice is informed by feminist and decolonial thought, technobiography and autoethnography, posthuman and more-than-human perspectives, and slow, relational and care-oriented pedagogies. I consistently use publishing as a methodology rather than documentation — books, zines, letters, tables, exhibitions and online platforms function as mobile architectures through which knowledge is activated, shared and transformed rather than simply concluded.
Recent projects, including One Green Eye, the Other Blue — Herbarium of the Anthropocene, bring together artificial intelligence, post-industrial fieldwork, botanical practices and material image-making, exploring how algorithmic and ecological systems co-produce images, knowledge and classification. More broadly, my work has critically engaged with algorithmic governance, academic capitalism and artificial intelligence, particularly from within the university itself. I have developed a critique of the managerial, metricised and platformised university, using installation, editorial practice and AI-generated imagery as forms of counter-infrastructure rather than compliance.
Throughout this work, what matters to me is not an authorial style but a consistent position: a refusal of optimisation and scale, a commitment to care, slowness and relation, an understanding of institutions as materials rather than authorities, and a willingness to remain within instability rather than resolve it.
If I had to put it simply:
I build conditions for thinking, making and publishing within the cracks of institutions, without seeking to stabilise those cracks into new structures of power.
That is what the work continues to do.